terça-feira, 10 de julho de 2007


Salvador cedia o III Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual até o dia 14. (Ouça as exposições clicando aqui).
São mesas de debates, exibição de curtas e longas, tardes de autógrafos, encontro de distribuidores e mais um monte de coisas. Tudo no Teatro Castro Alves, em ótima produção.

Ontem estivemos por lá e a fala de Miguel Littin foi a que mais chamou minha atenção.

Nunca assisti nada dele, mas conheço o livro de Gabriel García Marquez "La aventura de Miguel Littin clandestino em Chile", obra na qual é contada a saga do cineasta clandestino no seu próprio país, à época da ditadura Pinochet, quando mudou de identidade para filmar o documentário "Acta general de Chile".

Ganhei o livro de um amigo chileno. Ele trabalha com vídeo e cinema social e faz seu doutorado aqui em Salvador. Esse amigo disse gostar muito de "El Chacal de Nahueltoro", obra mais cultuada de Littin.

"Ele (Littin) aprendeu a sobreviver muito bem. Soube aproveitar as tecnologias e inovou na linguagem", lembrou o amigo. Mas guarda algumas ressalvas do diretor que militou no cinema político e amenizou o discurso para privilegiar o apelo dramático, na avaliação do amigo.

Na palestra, Littin fez uma leitura crítica a respeito da atual produção audiovisual latino-americana e não correu das comparações entre o cine dos anos 60 do século passado e o atual.

Se perguntou: "Será possível criar uma identidade latina através das idéias transpostas para o cinema?".

Foi essa uma das tentativas dele e dos colegas da sua época, mas ressaltou no final da fala ser parte de uma geração inconclusa.

Lembrou da "câmera na mão e uma idéia na cabeça", jargão da geração de 60. Mas deu a entender que falta a idéia na cabeça das novas gerações de cineastas.

Para Miguel Littin, não adianta reclamar da falta de recursos financeiros: "As produções mais ricas financeiramente têm sido as cinematograficamente mais pobres", ressaltou.

Sem falar no barateamento dos equipamentos digitais. Um câmera mini DV e um microfone é o bastante para se fazer um filme hoje.

"O Cocalero", película de Alejandro Landes, por exemplo, foi filmado apenas com uma Panasonic DVS100a (veja imagem), exibido nas salas de cinema da Bolívia e elogiado no Festival da Sundanse.

Os custos de uma produção em película realmente inviabilizam produções independentes. Mas com a captação e exibição em digital, dá para apertar o dedo e deixar rolar a fita por até 60 minutos.

Qualquer loja de eletrônicos vende a fitinha por cerca de 20 reais. Mas onde está a loja onde se disponibilize idéias para vender?

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